A aprovação final antes da impressão industrial, é uma das últimas chances de se identificar problemas técnicos e de se evitar gerar gastos, custos, atrasos, prejuízos financeiros, e de imagem para todos os envolvidos no processo de produção de produtos gráficos. Neste artigo trataremos sobre os tipos de provas e os processos de conferência: manuais e automáticas, e como ferramentas como o Flipper podem facilitar estes ciclos de aprovação e torná-los mais confiáveis.
Se você trabalha com criação, arte-final e/ou pré-impressão, já deve ter vivido esta cena:
O material está perfeito na tela do computador do diagramador. O cliente aprovou “de olho”. A gráfica rodou. O caminhão entregou. E… todos os acentos e pontuações dos textos desapareceram. Mas alguns erros de ortografia e digitação foram impressos.
A pergunta que ecoa no silêncio constrangedor é: “Mas como é que ninguém viu isso antes de imprimir?!?!”
Até viu, mas não enxergou. O que dá no mesmo.
É exatamente aqui que entram as provas gráficas. Por um lado, é o último “teste de realidade” antes que toneladas de papel e quilos de tinta ou toner transformem um pequeno problema em alguma etapa de produção em um grande prejuízo.
Por outro lado, provas não devem ser encaradas como custos e sim como um seguro que protege a todos – clientes e gráficas – contra posteriores reclamações e litígios.
POR QUE AS PROVAS GRÁFICAS SÃO INDISPENSÁVEIS?
Várias razões. A primeira delas é que a prova gráfica é o cinto de segurança da produção gráfica e geralmente os motoristas não dirigem sem cinto por achar que vai demorar mais no trânsito, certo? Então também não deveríamos produzir impressos sem provas verificadas e aprovadas.
Produzir um impresso é como usar uma linha de montagem de carros. No nosso caso, envolvemos etapas como: criação, diagramação, arte-finalização, geração dos arquivos para entrega para as gráficas, recepção técnica na gráfica, normalização, imposição, RIPagem, gravação de matrizes para impressão, impressão industrial, acabamento e logística de entrega.
Cada etapa é uma chance de acerto — e também de problemas, pois cada uma delas possui variáveis técnicas a serem controladas, fora os temíveis imprevistos.
Por isso, as provas gráficas têm como objetivos principais:
- Simular o resultado final da impressão industrial.
- Gerenciar expectativas (do cliente e da gráfica).
- Identificar os problemas com a maior antecedência possível.
- Obter do cliente a aprovação para produção.
- Evitar retrabalhos, custos extras de produção e prejuízos
- Resguardar os envolvidos contra problemas de produção e jurídicos
ETAPAS E CICLOS DE PROVAS GRÁFICAS
As provas gráficas podem ser feitas em diferentes momentos da produção de um produto e servem a propósitos distintos:
Validação de conteúdo: geralmente feita quase no final do processo de diagramação, permite avaliar se os textos estão em suas versões de emendas finais, grafados corretamente e sem erros de ortografia.
Validação estética e de layout: aplicada durante o processo de arte-finalização para confirmar o perfeito alinhamento e distribuição dos elementos de página, ajustes finos nos textos (para evitar forcas, viúvas e órfãs), atualização dos vínculos dos arquivos importados, cores etc.
Validação técnica: deveria ser executada pelo arte-finalista, mas na maior parte dos casos é feita apenas pela equipe de pré-impressão das gráficas. Confirma se quesitos como espaços de cores, overprints/knockouts, resolução das imagens, fontes tipográficas, sangrias, margens de segurança estão em ordem.
Validação comercial/jurídica:: também conhecida como prova de RIPagem, prova de contrato e, em alguns casos, como prova de cor. Verificada e assinada pelo cliente final, quando a gráfica garante que irá entregar exatamente o que ele aprovou. E para ambos os lados, os protege contra litígios jurídicos.
Sem estes ciclos de aprovação, estamos basicamente dizendo: “Confio no destino.” E o destino, no segmento gráfico, adora nos presentear com algumas surpresas.
MÉTODOS DE PRODUÇÃO E ENTREGA DE PROVAS
Independente dos momentos da produção e dos objetivos, as provas gráficas podem ser feitas de maneira física ou virtual.
Provas Físicas Ainda produzidas quando o visual e as cores são críticos ou quando o valor agregado e/ou as tiragens são muito altas. Por exemplo: embalagens, livros de luxo, catálogos de moda, rótulos e etiquetas de produtos.
Para serem provas contratuais com validação comercial e jurídica, alguns requisitos na gráfica são fundamentais:
- Processo de escolha de insumos e de produção industrial e impressão, todo padronizado, e que segue normas internacionais.
- Sistema de gerenciamento de cores e produção de provas digitais integrado ao sistema de workflow da pré-impressão.
- Impressoras de prova calibrada e calibráveis (geralmente com tecnologia inkjet) de modelos homologados pelo fabricante do sistema de gerenciamento de cores.
- Uso de papéis específicos para provas gráficas.
- Equipamentos, procedimentos padronizados e frequentes de calibração e manutenção das impressoras.
O investimento é alto em implantar e manter essas soluções, mas a previsibilidade na produção também é.
No entanto, existe também o custo de entrega e retirada depois de assinada dessas provas no cliente
Provas virtuais Também conhecidas como softproof ou provas em tela.
Para poderem ser chamadas de provas contratuais, devem seguir os mesmos requisitos das provas físicas.
Já no ambiente do cliente, para que este possa aprovar uma prova contratual com confiabilidade, é fundamental que ele possua.
- Um ambiente com iluminação controlada e uniforme, independente da hora do dia ou da noite.
- Um monitor calibrável e calibrado.
- Equipamentos, procedimentos padronizados e frequentes de calibração dos monitores.
PRINCIPAIS TIPOS DE PROVAS GRÁFICAS
PDF de aprovação simplificada
O mais comum de todos. O arquivo final é exportado em PDF e enviado ao cliente para aprovação. Simples, imediato, sem custos adicionais. O problema? O monitor do cliente pode estar descalibrado, ele pode abrir no celular com zoom errado, pode aprovar sem realmente ler... Fora o risco de enviar um PDF em alta que a gráfica fez uma série de ajustes e o cliente levar esse PDF corrigido para rodar em outra gráfica.
Softproof calibrado
É um PDF visualizado em monitor calibrado com perfil de cor adequado (geralmente seguindo a norma ISO 12647).
Prova de fluxo / preflight digital
Não é exatamente uma prova visual, mas é uma verificação técnica automatizada do arquivo: fontes embutidas? Imagens em resolução correta? Perfis de cor adequados? Sangria presente? Esse é o trabalho do preflight check — e ferramentas como Acrobat Pro, PitStop Pro, Callas PDF Inspektor ou sistemas de automação fazem isso com maestria.
Prova de imposição
Trata-se de uma prova em desuso em alguns segmentos, como, por exemplo, o editorial de livros, apostilas e revistas, que demandava uma prova de grande formato, com cada um dos cadernos com as páginas imposicionadas.
Usava-se uma impressora inkjet de grande formato para se imprimir em frente e verso, normalmente numa resolução baixa, para então dobrar no formato final do caderno. Era mais uma prova interna da gráfica, mas muitos clientes preferiam recebê-la para se certificarem de problemas na imposição.
Na década de 90 e início da década de 2000, eram produzidas analogicamente e conhecidas popularmente como provas heliográficas.
Prova de RIP
É o que existe de mais confiável, pois é uma derivação da prova de contrato que geralmente é impressa e entregue para o cliente assinar, e depois devolver, mas também pode ser feita virtualmente.
Ela contempla uma “imagem” fidedigna do PDF depois de ser processado pelo RIP da gravadora de matrizes (chapas no caso do processo offset, clichês flexíveis no caso da flexografia, matrizes serigráficas no caso do silk-screen e matrizes digitais no caso dos processos digitais de base toner ou inkjet).
Ou seja, contempla de maneira imutável a forma que todos os elementos de página serão impressos com requisitos técnicos de trapping, resolução das imagens, nós das ilustrações vetoriais, textos com suas fontes tipográficas, acentos e outras características, degradês, sombras, transparências e outros efeitos especiais. Para o bem e para o mal. Por isso, é uma das mais confiáveis.
PROCESSO DE CONFERÊNCIA
A análise e conferência das provas é geralmente feita manualmente por um ser humano cuja função é conhecida como conferencista técnico ou revisor técnico, em busca de problemas de layout, de cores assim como de processamento.
Caso a análise tenha de ser feita de maneira comparada, ou seja, quando compara a prova do cliente com a prova da gráfica, é conhecida como “batida de plotter”, “decalque de provas”, “espelhamento de provas”, “provas de ventinho” e até mesmo “cotejamento ocular de provas”.
Isto porque o conferencista técnico precisa colocar a prova da gráfica em cima da prova do cliente e fica levantando os cantos da folha que está em cima, para tentar identificar diferenças entre as duas. Um processo lento e que nem sempre pega todas as diferenças, em especial as pequenas diferenças como acentos, pontuações, itens de fórmulas matemáticas como expoentes, itens de mapas e ilustrações, etc.
Quando as encontra, faz anotações na prova da gráfica ou cola post-its com os recados e devolve para a gráfica. Mas e quando existem diferenças e este profissional não consegue identificar as diferenças, assina a prova e autoriza a impressão industrial?
Eis a situação em que diversas soluções automatizam esse processo de conferência de ciclos de provas com muito mais assertividade e velocidade e ainda trabalham fora do horário comercial, nos finais de semana e feriados.
AUTÓPSIA DE UM CRIME AMBIENTAL GRÁFICO
Assim como no processo de investigação de acidentes aéreos, onde um único fator raramente derruba um avião e sim uma sequência de acontecimentos, no segmento gráfico um problema impresso tem múltiplas causas e diversas oportunidades de se identificá-lo preventivamente, e corrigí-lo antes que gere prejuízos.
Vamos agora fazer a autópsia do crime ambiental gráfico usado no exemplo descrito no começo deste texto.
Onde nasceu o problema dos textos impressos sem os acentos? De maneira inquestionável, quando o criativo escolheu uma fonte tipográfica que baixou da Internet ou mesmo foi fornecida pelo cliente final.
Existem milhões de opções de fontes disponíveis. Mas apenas uma pequena porcentagem com qualidade suficiente para atender os requisitos dos processos de impressão industrial e um dos problemas mais comuns é justamente o sumiço na impressão dos caracteres acentuados. É bem verdade que é praticamente impossível detectar o problema na tela e nas provas de layout e de conteúdo.
A próxima etapa que poderia ter detectado o problema de baixa qualidade da fonte seria a de preflight feita pela equipe de pré-impressão da gráfica. Mas a verificação-padrão contempla geralmente o quesito de embutimento da fonte. O que foi confirmado. O próximo ponto de controle poderia ser uma prova de RIP, mas nesse caso hipotético, o fluxo de trabalho da gráfica gerou uma prova impressa que usou o RIP da impressora inkjet, que é mais voltada para cor e menos para precisão para interpretação de requisitos gráficos.
Na hipótese de a gráfica enviar um PDF gerado pelo sistema de workflow usado pela pré-impressão e portanto, previamente normalizado ou refinado, aumentam as chances do problema se apresentar no PDF a ser enviado para o cliente avaliar. De qualquer forma, o cliente teria de realmente analisar minuciosamente o PDF e enxergar a falta de acentos…
Depois que o cliente aprovar as provas e autorizar a impressão, dificilmente alguém na gráfica vai detectar o problema, pois nem na impressão nem no acabamento alguém lê o que está manipulando, já que naturalmente eles têm outros focos e responsabilidades na produção.
Aí vem a polêmica: a gráfica tem alguma culpa nisso? Na minha opinião, não. De maneira resumida e objetiva, uma gráfica presta serviços de reprodução industrial a partir da matéria-prima fornecida pelos clientes que a contratam. E, nesse caso, a matéria-prima foi entregue com uma bomba-relógio bem escondida.
Em tempo: os trechos com problemas de digitação e ortografia são de responsabilidade exclusiva do redator (ou quem quer que os tenha digitado) e, em última instância, de quem os aprovou. Nunca da gráfica.
SOLUÇÕES
Minha primeira recomendação para estas etapas de aprovação é: nunca, em hipótese alguma, a gráfica deve aprovar por telefone ou mesmo WhatsApp. Peça sempre, no mínimo, um e-mail do aprovador com um “de acordo”.
A segunda seria trabalhar com provas no último ciclo de aprovação, sempre usando o material RIPado, ou seja, exatamente o que vai ser usado para gravar a matriz de impressão. Trataremos dos tipos de RIPagem em fluxos de trabalho NORM (Normalize Once Output Many) e ROOM (RIP Once Output Many) em um artigo a ser escrito e publicado no futuro. E, por fim, usar ferramentas que cuidem de toda a dinâmica dos ciclos de prova de maneira automatizada e que façam a comparação dos últimos PDFs por meio de tecnologias pixel a pixel.
Foi justamente para solucionar estes desafios, que a empresa Plubi (www.plubi.com.br) desenvolveu o Flipper.
Nossa tecnologia de comparação pixel a pixel identifica em poucos segundos quaisquer diferenças entre o PDF do cliente e o processado pela pré-impressão. O Flipper elimina a conferência manual, demorada e suscetível a erros, garantindo que apenas a versão correta e aprovada vá para a impressão industrial.
Principais recursos e vantagens:
- Workflow de aprovação personalizável entre gráficas e clientes.
- Disparos de notificações entre os envolvidos.
- Dashboard para gestão de produção, prazos e etapas entre os envolvidos.
- Rastreabilidade completa de quem, o que e quando aprovou.
- Recursos de preflight como detecção de sangrias, espaços de cor, resolução de imagens.
- Solução SaaS com infraestrutura da Plubi, disponível 24/7/365.
Venha conhecer o Flipper e como ele pode ajudar sua gráfica, editora de livros, agência de publicidade a eliminar o problema dos ciclos de provas e também a proteger sua empresa. Marque uma demonstração gratuita no endereço comercial@plubi.com.br ou preencha nosso formulário de contato.