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O Zip Drive

yg1460um91491.jpg No início da década de 90, para se transferir um único arquivo de 100 MB de uma editora para uma gráfica, por exemplo, não era tarefa das mais fáceis, muito menos prática.

Antes do advento de tecnologias como unidade de armazenamento da Bernouli, SyQuest e Magneto-Ópticas que nunca foram muito populares por conta do preço das unidades de gravação e das mídias, os disquetes flexíveis de 3,5 polegadas reinavam absolutos principalmente porque todos os computadores daquela época (PCs e Macs) vinham equipados com uma (às vezes duas) unidades de leitura/gravação.

Mas, devido à sua capacidade limitada a apenas 1,44 MB, transferir o arquivo de 100 MB, por exemplo, era necessário alguns malabarismos e uma quantidade de tempo considerável.

Era preciso compactar o arquivo de maneira fracionada com o uso de aplicativos de compactação como o ARJ ou ZIP em pedaços de 1,44 MB e copiar cada arquivo para um dos 70 disquetes. O que tomava aproximadamente 3 minutos cada um e algumas horas para concluir a tarefa (geralmente relegada para estagiários).

Era comum também que um ou mais disquetes apresentassem problemas de leitura e precisassem ser regravados. Por essa razão, os mais precavidos copiavam de volta os arquivos para o disco rígido a partir dos disquetes para testá-los, antes de despachar para a gráfica, por exemplo.

Outros limitavam os pedaços a 1,22 MB e assim ter um espaço de manobra para que algum utilitário de desfragmentação (outra tecnologia exótica da época) pudesse rearranjar os dados e movê-los para uma área não defeituosa do disco flexível.

Eis que, em 1994, a Iomega lançou comercialmente o Zip Drive por aproximadamente US$ 200 e cada disco por aproximadamente US$ 20. Em termos de concorrência, era quase uma pechincha, já que, a título de comparação, um drive de SyQuest custava três vezes mais e um disco (chamado de cartucho) de 88 MB custava cinco vezes mais.

Outro dado comparativo da época: em 1993, cheguei a pagar US$ 3.000 por um disco rígido Seagate Barracuda de 1 GB.

No caso do Zip Drive de 100 MB, estavam disponíveis alguns modelos divididos entre os externos e os internos e subdivididos de acordo com o barramento/interface com o computador: SCSI e paralelo/IDE/ATAPI. Além de pequenas variações de preços, a grande diferença era o tempo de gravação dos discos. Enquanto uma unidade SCSI conseguia gravar o arquivo de 100 MB em aproximadamente 3 minutos, unidades com interface paralela podiam demorar dez vezes mais.

Posteriormente, a Iomega lançou modelos de Zip Drive com capacidade de 250 MB e 750 MB, além de uma nova linha de produtos chamada Jaz Drive, capazes de gravar discos com capacidade de 1 GB e 2 GB.

Declínio

O desaparecimento do Zip Drive não foi causado apenas por suas falhas, como, por exemplo, o famoso "Clique da Morte" que danificava tanto a cabeça de gravação e leitura quanto o disco inserido, mas por uma "tempestade perfeita" de novas tecnologias que surgiram entre o final da década de 90 e início da de 2000:

  1. As mídias ópticas como o CD-R e o DVD-R: Os gravadores de mídias ópticas tornaram-se acessíveis e os discos graváveis custavam centavos e armazenavam, respectivamente: 700 MB e 4,7 GB, muito mais que o disco Zip de 100 MB.

  2. O Pendrive (USB Flash): No início dos anos 2000, os pen drives surgiram e rapidamente aumentavam a capacidade de armazenamento, e se tornaram cada vez mais baratos. Eram práticos e rápidos, pois não tinham partes móveis e não precisavam de um "drive" dedicado — bastava conectá-los na porta USB.

  3. Internet de Alta Velocidade: Com o início da banda larga, tornou-se mais fácil enviar arquivos por e-mail, FTP e até copiá-los para a nuvem, do que transportá-los fisicamente.

Curiosidade

Muitos modelos de aviões fabricados pela Boeing e Airbus, tais como 747, 757, 767, A320 e A330 mais antigos, ainda usam até hoje, unidades de Zip Drive no cockpit das aeronaves para receberem atualizações nos sistemas de aviônica e navegação.

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